terça-feira, 6 de março de 2007
Um
Escrever é um projeto antigo. Algo que fiz durante boa parte da minha adolescência e que há tempos tenho planos de retomar. Aquele eterno ‘projeto-chavão’: escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Ainda não me vejo realizando essa trilogia. Nem sei se quero. Mas... Já plantei feijão no algodão quando criança, serve? Acho que não... (risos) Também seria muita pretensão fazer destas linhas um projeto-livro. Creio que - quando muito - eventualmente pode surgir algum bom argumento, talvez inspirador de roteiro de episódio de seriado – porque muitas vezes tenho a sensação de que certas coisas que acontecem na vida só poderiam ser obra de ficção (a vida imita a arte ou a arte imita a vida?). Filho? Assunto para um tópico à parte. Aliás, isso é algo que muito me agrada na versão web da palavra escrita: a flexibilidade e a mobilidade. Como um tópico pode levar a outro e por meio de links pode-se acessar e/ou discorrer sobre diversos assuntos ao mesmo tempo. Acho fantástica a sensação de abrir diversas janelas conforme determinado pensamento vem à mente e talvez tão rápido quanto se pensa - quando a conexão assim permite! O que também pode ser, de certa forma, caracterizado como uma espécie de associação livre, para emprestar um termo da Psicanálise.
A idéia de associação livre – sem levarmos em consideração definições precisas – me parece bastante adequada ao propósito desse exercício da palavra escrita. Primeiro porque o intuito não é fazer um diário: é criar um espaço ‘aleatório e atemporal’, deixando os pensamentos correrem soltos, livres, independente de qualquer ordem cronológica. Não que essas páginas tenham por objetivo ser uma espécie de divã, mas não é de se desconsiderar sua capacidade terapêutica, pois representam também um exercício de autenticidade e uma maneira de confrontar minha timidez - imaginar que qualquer pessoa pode ler o que se apresenta aqui escrito é ao mesmo tempo instigante e assustador.
Por isso, inspirado nos pacientes em terapia que relatam seus sonhos como se eles estivessem acontecendo naquele momento, a idéia do 'aleatório e atemporal' é usar na maior parte do tempo a linguagem no presente. Hoje, nesse espaço pode significar ontem ou amanhã. Mas isso não impede também que ontem signifique amanhã ou hoje. E amanhã pode ser hoje ou ontem. Desse modo, os fatos aqui descritos podem ser fruto de lembranças, acontecimentos reais ou ficção, projeções futuras... e ‘eu’ pode significar um amigo, uma prima, um conhecido e ‘vices-versas’. Aqui, é concedido à autora o benefício de deixar seus leitores na dúvida. Porque ainda sou tímida...
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2 comentários:
Bioooosa... Sinto-me honrado em ser o primeiro a estar acessando e me envolvendo na leitura de suas palavras.
Parabéns pelo texto... Uma leitura leve, tranqüila e ao mesmo tempo envolvente, a ponto do leitor discorrer ao longo do texto, preso a ele não por curiosidade na procura de um desenrolar de uma história ou intrigado por fatos descritos, mas sim pelo simples fato de estar envolvido em pensamentos tão bem expressos e de agradável leitura.
Parabéns Bia
Bia querida!
Primeiro vim dizer que me senti honrada com seu post. E tb de ter sido o meu a inspiração para o seu blog, que pelo que percebi é um projeto pessoal muito antigo.
Muito obrigada!
Segundo, não poderia deixar de registrar aqui minha admiração pelo que você tem escrito.
Você escreve de forma leve e ao mesmo tempo complexa.
Adorei!
Virei aqui visitar sempre!
Muitos beijos com saudades!
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