quinta-feira, 28 de outubro de 2010

porque tudo muda o tempo todo...

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e agora eu era


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domingo, 3 de junho de 2007

O que fazer em caso de saudade?


"O que fazer em caso de incêndio?" é um dos melhores filmes europeus que assisti ano passado no melhor sofá do mundo. Alguns outros foram "Os Sonhadores" (cuja trilha sonora também muito me agrada) e "Edukators" (cujo final gerou muita discussão e eu ainda gosto mais da minha interpretação). Três filmes que valem o aluguel ou a compra nessa época em que comprar DVDs às vezes é mais em conta do que alugar. O primeiro é sobre um grupo de anarquistas que fazem um vídeo - "O que fazer em caso de incêndio?" - que funciona como um manual sobre suas estratégias e táticas anarquistas. Um passo a passo. Excelente! Quem nunca desejou que algumas pessoas ou situações viessem com manual de instruções? Daqueles completinhos que explicam o funcionamento peça por peça e também apresentam sugestões sobre o que fazer em momentos de crise e angústia em que nada parece funcionar. O que fazer se a luzinha verde piscar intermitentemente? 1. Verifique a colocação das pilhas. 2. Desligue e ligue novamente. 3. ...

Certa vez perguntei: "O que fazer em caso de saudade?". Eu não oferecia nem esperava um manual. Mas recebi resposta inspirada em Fagner e sem maiores orientações sobre como proceder: "Saudade já tem nome de mulher". Aí a saudade foi ficando, indo e voltando, indo e voltando. Chata mesmo, como pernilongo na praia em noite de verão em que se dorme com a janela aberta. Alguém bem que podia escrever esse manual: "O que fazer em caso de saudade?". Algumas idéias:

1. Faça um blog.
Se não é possível matar a saudade, de alguma forma é preciso extravasá-la e o blog pode ser útil àqueles que não sabem cantar ou pintar. Como diria
Luiz Gonzaga: "Mas ninguém pode dizer que vivo triste a chorar, saudade o meu remédio é..." escrever! Conversa-se com uma audiência indeterminada (por vezes mesmo inexistente) poupando seu amigos que já não agüentam mais o tópico da saudade e ainda pode, por ventura, funcionar como veículo de interlocução para com o próprio objeto da saudade.

2. Faça atividades físicas.
Qualquer atividade que seja prazerosa e permita ocupar a mente, preocupando-a com a coordenação motora necessária para executar os movimentos. Nada como um pouco de beta-endorfina para melhorar a auto-estima e a disposição, esquecendo a saudade.

3. Coma chocolate todos os dias.
Sem exageros, lógico. Uma pitada de chocolate diariamente adoça a vida e supre algumas carências deixadas pela saudade.


4. Saia muito com TODOS os seus amigos.
Procure seus amigos para fazer qualquer tipo de programa que tenha vontade e aceite os convites para aqueles que não dão tanta vontade assim. Com amigos dificilmente algo não será divertido. Aproveite a oportunidade e o tempo disponível para ver muito os amigos mais próximos, rever os distantes e conhecer novos. Lugares diferentes e pessoas diferentes, lugares iguais e pessoas iguais, lugares diferentes e pessoas iguais, lugares iguais e pessoas diferentes. Tudo fará bem para alegrar o espírito e esquecer que a saudade existe. Procure os solteiros, os casados e os que namoram e saia até mesmo com apenas um casal (geralmente programas culturais funcionam melhor nesse caso). Esteja apenas preparado para ouvir alguns 'nãos' às vezes e mantenha atualizada uma lista de bons filmes que deseja assistir para aqueles momentos sem pique de ir ao cinema sozinho num sábado à noite em que os celulares parecem não funcionar.

5. Descubra.
Um novo hobby, novos interesses, novos lugares, novas pessoas, novos prazeres, um novo você. O espaço deixado pela ausência pode e deve ser preenchido e certamente há um novo tempo disponível para ir atrás de novidades ou mesmo retomar antigos prazeres que andavam meio deixados de lado.

6. Não pense.
Deixe o sofrimento por reminiscências para as histéricas de Freud. Ocupe o tempo e a cabeça com atividades mais produtivas sempre que possível e pare pouco. Como diria minha sábia mãezinha: "Não posso parar. Se eu paro, eu penso. Se eu penso, eu choro." Pensar e lembrar alimenta a saudade sofrida e melancólica que não precisa crescer mais.

7. Deixe doer até anestesiar.
Saudade dói. Muito. Mas tem que deixar doer para parecer que passou. Quando parece que passou é porque anestesiou. Às vezes o efeito anestésico passa por alguns momentos e a dor volta primeiro melancolicamente e depois lancinante até anestesiar novamente. Deixar doer permite à anestesia acontecer e pode ser que algum dia a saudade nem seja mais percebida ou sentida.

"Obrigo-me a chorar para provar a mim mesmo que minha dor não é uma ilusão: as lágrimas são signos, não expressões. Por minhas lágrimas, conto uma história, produzo um mito da dor, e assim posso acomodar-me a ela: posso conviver com ela, porque, chorando dou-me um interlocutor enfático que recolhe a mais "verdadeira" das mensagens, a de meu corpo, não a de minha língua: 'Palavras, que são palavras? Uma lágrima dirá bem mais'." (Roland Barthes em 'fragmentos de um discurso amoroso').

8. (...) - to be continued

O manual até pode ajudar um pouco, mas, no caso dessa saudade, uma pergunta ficará no ar e talvez nem mesmo o fabricante saiba responder de maneira satisfatória:

Por que inventaram junto e depois saíram correndo?

(Cá entre nós, minha saudade dói mais no melhor sofá do mundo - e na melhor cama do mundo que teve ao seu lado certo par de brincos, esquecido... para sempre.)

terça-feira, 6 de março de 2007

Um


Escrever é um projeto antigo. Algo que fiz durante boa parte da minha adolescência e que há tempos tenho planos de retomar. Aquele eterno ‘projeto-chavão’: escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Ainda não me vejo realizando essa trilogia. Nem sei se quero. Mas... Já plantei feijão no algodão quando criança, serve? Acho que não... (risos) Também seria muita pretensão fazer destas linhas um projeto-livro. Creio que - quando muito - eventualmente pode surgir algum bom argumento, talvez inspirador de roteiro de episódio de seriado – porque muitas vezes tenho a sensação de que certas coisas que acontecem na vida só poderiam ser obra de ficção (a vida imita a arte ou a arte imita a vida?). Filho? Assunto para um tópico à parte. Aliás, isso é algo que muito me agrada na versão web da palavra escrita: a flexibilidade e a mobilidade. Como um tópico pode levar a outro e por meio de links pode-se acessar e/ou discorrer sobre diversos assuntos ao mesmo tempo. Acho fantástica a sensação de abrir diversas janelas conforme determinado pensamento vem à mente e talvez tão rápido quanto se pensa - quando a conexão assim permite! O que também pode ser, de certa forma, caracterizado como uma espécie de associação livre, para emprestar um termo da Psicanálise.

A idéia de associação livre – sem levarmos em consideração definições precisas – me parece bastante adequada ao propósito desse exercício da palavra escrita. Primeiro porque o intuito não é fazer um diário: é criar um espaço ‘aleatório e atemporal’, deixando os pensamentos correrem soltos, livres, independente de qualquer ordem cronológica. Não que essas páginas tenham por objetivo ser uma espécie de divã, mas não é de se desconsiderar sua capacidade terapêutica, pois representam também um exercício de autenticidade e uma maneira de confrontar minha timidez - imaginar que qualquer pessoa pode ler o que se apresenta aqui escrito é ao mesmo tempo instigante e assustador.

Por isso, inspirado nos pacientes em terapia que relatam seus sonhos como se eles estivessem acontecendo naquele momento, a idéia do 'aleatório e atemporal' é usar na maior parte do tempo a linguagem no presente. Hoje, nesse espaço pode significar ontem ou amanhã. Mas isso não impede também que ontem signifique amanhã ou hoje. E amanhã pode ser hoje ou ontem. Desse modo, os fatos aqui descritos podem ser fruto de lembranças, acontecimentos reais ou ficção, projeções futuras... e ‘eu’ pode significar um amigo, uma prima, um conhecido e ‘vices-versas’. Aqui, é concedido à autora o benefício de deixar seus leitores na dúvida. Porque ainda sou tímida...